domingo, 9 de junho de 2013

Tamborim entrevista... Margarida Mendes da Silva



Margarida Mendes da Silva

Check-In , Margarida Mendes da Silva
Ed. Rumores de Nuvens

Da contracapa:

"Check-In, a estreia literária de Margarida Mendes da Silva, cede-nos irresistivelmente passagem ao delicioso relato de um encontro de personagens no Aeroporto de Lisboa, durante o compasso de espera para o embarque. Destino: Rio de Janeiro.
 
Numa azáfama de partidas e chegadas onde se cruzam passos e acasos, grandes surpresas, olhares sobre a vida e decisões fundamentais da existência, os heróis desta história deixam-se invadir, em inesperada cumplicidade, pela mágica promessa de aventura e novidade que só os momentos que antecedem as grandes viagens propiciam.
 
Um livro tão doce e picante quanto humaníssimo, arrojado e muito divertido. Aviso à navegação: este voo pode mudar a sua vida. Por esse motivo, dispense o cinto de segurança".

O que garanto é que este livro é isso e muito mais e que é para mim, e não só para mim, inesquecível.

 
Casa de ferreiros, espeto de pau e é bem certo. Escreveu a minha querida mana um livro que é uma pérola, uma joia deliciosa de talento, divertimento e aventura, e ainda a não tinha aqui publicada uma entrevista que já fiz há tanto tempo no meu FB. Sintética e vívida como só ela sabe, não se enganem: esta entrevista é na verdade quilométrica! E uma perfeita honra. Obrigada Mana.
 
Vamos fazer o Check-In?
 

"(...) os próprios personagens (...) tomaram conta do desenrolar das cenas como se de repente tivessem adquirido vontade própria dentro da história e eu já não fosse ali tida nem achada para coisa nenhuma além de a escrever."
 
Tamborim Zim - Mana, muito obrigada por aceitares ser uma das minhas valentes entrevistadas. Margarida Mendes da Silva...como é que surgiu a ideia de Check-In ?
 
Margarida Mendes da Silva - Eu é que agradeço a gentileza do convite, de todo imerecido.
 
A ideia do Check-In surgiu do meu gosto por aeroportos, pelo frenesim das viagens, pelo gosto do risco, pelas expectativas que levamos quando embarcamos seja para onde e porque motivo for.
 
Depois as ideias foram surgindo, os personagens aparecendo, as histórias formaram-se por elas  próprias, acho que foram os próprios personagens que tomaram conta do desenrolar das cenas como se de repente tivessem adquirido vontade própria dentro da história e eu já não fosse ali tida nem achada para coisa nenhuma além de a escrever.
 
TZ - Esta história é aparentemente simples. Para lá da frágil superfície das primeiras impressões, percebemos personagens em trânsito e em transe, no meio de escolhas, dúvidas,  evasões e ambições prementes. Qual é, para ti, a ideia fundamental deste livro?
 
MMS - A história é simples porque no fundo é o espelho da existência humana. A vida, o amor, os sonhos, o investimento, as relações, tudo isso acaba por ser muito simples se lhe retirarmos o carácter dramático e fatídico que quase sempre acabos por lhes conferir, vá-se lá saber porquê.
 
A ideia fundamental do livro é embarcar nas possibilidades que se nos deparam,  é não ter ideias pré-concebidas sobre tudo, é acreditar que nem tudo o que parece é mas que, ainda assim, pode ser melhor.  É querer coisas melhores que medos, remorsos, culpas.
 
É arriscar, é não ter medo dos outros e sobretudo de nós, é tentar, tentar sempre e  alcançar a felicidade que merecemos.
 
TZ - Há alguma personagem de Check-In  com a qual te identifiques particularmente?
 
MMS - A Gabriela, claro. Pela loucura, pela frontalidade quase besta, pelo terra-a-terra, pela sensatez, mas também pela capacidade de mandar tudo ao ar a troco de ser feliz.
 
TZ- A escrita é uma necessidade ou um prazer?
  
MMS- Ambas, inevitável e felizmente. O que iria ser da minha vida se a necessidade não fosse acompanhada de prazer?!
 
Creio que é uma actividade em que as duas são indissociáveis se hão-de ter um resultado que satisfaça, pelo menos, quem o faça.
 
TZ - Podes partilhar connosco os nomes de alguns dos teus autores de eleição?
 
MMS - Assim de repente: Isabel Allende, Gabriel García Márquez, Carlos Ruiz Zafón.
 
TZ- Qual é a maior viagem na qual gostarias de embarcar enquanto escritora?
 
MMS - Um roteiro capaz de arrecadar o Oscar de melhor argumento...rsrs
 
TZ - Uma mensagem para os teus novos amigos leitores?
 
MMS - Um agradecimento sincero pela oportunidade que me dão e pela paciência que terão comigo até que surja o "tal" livro.
 
TZ- E finalmente, um clássico: alguma pergunta a que terias gostado de responder e que não tenha surgido na entrevista?
 
MMS - Ainda não tenho estatuto para responder a uma pergunta dessas... Não, nenhuma. Entrevista perfeita.

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